| |
|
Evidente, o caminho para o nirvana não é tão curto nem tão
simples. Os riscos para a saúde de quem embarca na onda do ecstasy
não são poucos. O primeiro deles não tem a ver propriamente com
os danos sobre o organismo, mas com a possibilidade de terminar
a noite num lugar bem menos animado: atrás das grades. Trata-se
de um risco tão óbvio quanto real: o ecstasy é tão ilegal quanto
a heroína ou qualquer outra substância presente na lista de drogas
proibidas pelo Ministério da Saúde. Até há pouco tempo, quando
a droga era pouco conhecida, havia um certo clima de tolerância.
O mesmo que costuma cercar os usuários de maconha. "Para a polícia
essa diferença de tratamento nunca existiu", diz o delegado Gilberto
Cezar, da Polícia Federal de São Paulo. "Temos apenas que concentrar
esforços nas drogas mais consumidas." Mas a descoberta do primeiro
laboratório para a fabricação do ecstasy no Brasil, num apartamento
no centro de São Paulo, no mês passado, está mudando o modo como
a sociedade vê o ecstasy. Cinco pessoas foram presas, entre elas
dois estudantes. O material recolhido na apreensão poderia fabricar
cerca de 10 000 unidades do "E".
|
|
A
substância que define o ecstasy é o MDMA, sigla de (não tente
pronunciar) metilenodioxidometanfetamina. Com esse nome, a droga
é confundida com as anfetaminas ou metanfetaminas, outros estimulantes
sintéticos ilegais que deixam as pessoas "ligadas". Apesar de
ser derivado da anfetamina, o composto MDMA tem uma parte da sua
molécula semelhante ao de um alucinógeno. O MDMA não chega a produzir
as alucinações do LSD (ácido lisérgico), nem a excitação de substâncias
estimulantes como a cocaína. Em compensação, mixa efeitos moderados
das duas substâncias - segredo do seu sucesso como "droga social".
|
|
Ingerido
por via oral, o "E" chega à circulação sangüínea em 20 a 60 minutos,
através do aparelho digestivo, e espalha-se por todo o corpo.
Quando a substância alcança o cérebro, têm início os efeitos.
Ela atua sobre os neurotransmissores - mensageiros responsáveis
pela transmissão de informação no cérebro que regulam o nosso
humor e outras funções do organismo. São três os neurotransmissores
afetados: a serotonina, a dopamina e a noradrenalina. O mais atingido
pelo "E" é a serotonina - que controla as nossas emoções e também
regula o domínio sensorial, o motor e a capacidade associativa
do cérebro. O MDMA provoca uma descarga de serotonina nas células
nervosas do cérebro para produzir os efeitos de bem-estar e leveza
tão apreciados pelos freqüentadores das raves.
|
|
Como
a serotonina também é reguladora da temperatura do corpo, outro
risco imediato de quem toma o ecstasy é o da hipertermia, ou superaquecimento
do organismo. As mortes associadas à droga são decorrentes quase
sempre da elevação da temperatura do corpo acima dos 41 graus.
A partir dessa temperatura, os riscos são eminentes. O sangue
pode coagular produzindo convulsões e parada cardíaca. Não é à
toa que as raves são praticamente as únicas festas em que o consumo
de água mineral ultrapassa de longe o das bebidas alcóolicas.
| |
|